EM TEMPOS DE COVID-19, DESACELERAR É A CHAVE PARA TOMAR MELHORES DECISÕES

Estamos vivendo uma das maiores pandemias (COVID-19) da era da informação, que está nos trazendo diversos ensinamentos. Ela gera uma ansiedade e um impulso por agir nunca antes visto. Por isso, desacelerar é a melhor opção para se tomar uma decisão em um período tão crucial como esse.

(Em nosso texto anterior, falamos sobre o papel do Design para entender as pessoas em tempos complexos como o que estamos vivendo, além do papel da mídia.)

Mais do que nunca, o “efeito manada” (aquele em que pessoas replicam padrões de comportamento pelo exemplo) parece tomar conta da sociedade, independente de seu perfil, crença ou nível social.

Mais do que entender o comportamento e preferências das pessoas, o Design se junta à psicologia para entender como os pensamentos são formados e que tipo de influências as pessoas sofrem no dia a dia.

Ponto importante: esse texto não analisa o risco da patologia do COVID-19 (Coronavírus) que é inquestionável e obviamente deve se tomar todo cuidado com a saúde particular e daqueles ao nosso redor. O que iremos falar aqui é sobre o comportamento humano em tempos de caos e crise instaurados.

Nas últimas duas semanas vimos uma evolução absurda no nível de alarme das pessoas em relação ao Coronavírus, que teve sua classificação de pandemia oficializada pela OMS apenas há quatro dias. Desde então, vimos uma mudança forte no padrão de comportamento em alguns lugares. Infelizmente estamos falando mais de um comportamento de consumo do que efetivamente de precaução ao vírus.

Países instauraram quarentenas compulsórias (como Itália e Espanha, que demoraram a agir contra a doença) e outros fecharam suas fronteiras (como EUA, Alemanha e França). Porém, o maior efeito visto está se dando nas prateleiras dos mercados, mesmo sem nenhuma orientação de autoridades para esse comportamento. É o clássico efeito manada se replicando na pandemia.

 

O VÍRUS NA ERA DA INFORMAÇÃO

O grande perigo de um virus (como o COVID-19) de rápida propagação em uma era em que a informação se alastra mais rápido do que a própria doença, é o pânico que o incerto gera na população. O medo de perder se torna ainda mais forte e o consume de informações negativas, que naturalmente se eleva nessas épocas, torna não apenas nosso comportamento pior, mas também a nossa saúde mental. (confira o estudo original clicando aqui)

A mídia cobre exageradamente o lado negativo das catástrofes (categoria na qual essa epidemia se encaixa perfeitamente) para tomar proveito de nosso inconsciente e alavancar seus números de audiência, é importante ter essa consciência para saber dosar o nível de informação que iremos consumir nessas épocas.

Além do dano a saúde, o espalhamento de notícias negativas cria padrões de comportamento nas pessoas pelo mundo todo. Desde a sexta feira passada, temos visto no Brasil uma corrida das pessoas à farmácias e supermercados, no intuito de estocar produtos que irão necessitar (como àlcool em gel e sabonete) mas até mesmo de produtos que não fazem nexo (como papel higiênico e até mesmo alimentos perecíveis, que podem nem durar o período de crise).

Isso mostra o poder e a força da mídia e a informação negativa nas pessoas. Mas como, em meio a tanto pânico, desacelerar nosso pensamento para gerar uma melhor tomada de decisão (no âmbito profissional e pessoal)?

 

DESACELERAR É O MELHOR REMÉDIO

Em um momento em que todos pisam no acelerador para se proteger do potencial dano que uma Pandemia pode nos causar, é importante nos municiarmos de informação confiável para tomar a melhor decisão, pensando em nós mesmos e no outro, que pode se prejudicar com nossas ações.

É essencial tomar medidas para diminuir o índice de consumo de informações negativas. Aumentar o nível de leitura de informações relevantes e positivas para sua rotina, procurar dados que possam melhorar seu embasamento para uma tomada de decisão e conversar com aqueles próximos de você, para entender melhor seu contexto social em uma situação de crise são algumas das medidas a serem tomadas.

Atividades como a meditação e o esporte podem ajudar nossa mente a escapar do espiral do medo na época da pandemia. Os psicólogos recomendam um processo de aceitação do momento que estamos vivendo e um questionamento à toda as notícias negativas que chegam a nós. É preciso saber filtrar o que é produtivo para nossa mente.

 

E PARA OS NEGÓCIOS, COMO DESACELERAR SEM GRANDES PREJUÍZOS?

É evidente que o movimento de qualquer segmento irá cair nas próximas semanas e até meses. Algumas empresas se preparam até para declarar 2020 como um ano perdido mesmo antes de terminarmos o primeiro trimestre.

Porém, é essencial que a empresa se mantenha firme ao seu propósito de negócio e busque conversar, o máximo possível, com seus consumidores. Entender seus anseios nesse momento de tanta angústia é tão, ou mais, importante do que entender as pessoas em tempos de calmaria.

Entender seu consumidor e estar próximo em momentos de grande complexidade pode auxiliar não apenas a conter uma crise e uma enorme recessão, mas também humaniza nossos negócios e torna a relação com seu cliente mais intensa. No final da crise, é importante passarmos por isso juntos e tendo uma maior clareza nas relações humanas em períodos de grande estresse.

É essencial para nós, seres humanos, que desenvolvamos uma maior empatia um pelo outro e que possamos aprender, como empreendedores e profissionais a encontrar soluções mais sustentáveis, “imunes” a grandes crises como a que devemos viver nesse primeiro semestre de 2020.

Que possamos passar por esse episódio com calma, sabedoria e principalmente, compaixão e união.

Se você tem dúvidas sobre o efeito da mídia sob as pessoas em tempos de caos, leia nosso texto anterior que explica o “efeito CNN”, que nasceu com as transmissões ao vivo de guerras e outros episódios de grande impacto mundial.