Design para deficientes: como podemos ser mais inclusivos?

 

Falamos diariamente aqui na Icon (e não só por aqui) sobre como nossos produtos e serviços podem melhorar a vida das pessoas. Claro, quem não quer que seu produto, além de um sucesso, se torne um elemento da evolução da qualidade de vida das pessoas ao seu redor?

Mas, na prática, vemos poucos realmente se importando com aqueles que mais precisam das soluções que somente o design pode proporcionar: as pessoas com algum tipo de deficiência. Seja ela física, mental ou até mesmo emocional.

O design feito para aqueles que mais precisam, é uma ferramenta de evolução social, do todo, e não apenas da vida daqueles que irão se beneficiar diretamente dela.

Alguns estudos e iniciativas pelo mundo todo, entendem que o design para pessoas com deficiências de qualquer natureza não deve ser uma categoria separada da área de estudo geral do Design, mas sim, uma evolução constante do olhar do designer para com seu círculo social, e fora dele também.

Foi através desses estudos e conversa que surgiu o termo “Design Universal”, que em suma deve ser tratado da seguinte maneira:

“O Design Universal procura encorajar produtos que são mais “usáveis” por todas as pessoas. É um design criado para o ambiente e produtos de consumo para uma variação muito ampla de usuários”.

A frase é de Ronald Mace, arquiteto americano que durante toda sua vida profissional atuou na defesa de um design mais inclusivo e que colocasse a experiência das pessoas com deficiência em igualdade com as pessoas sem esse tipo de problema.

 

O presente está em nossas mãos

Se existe algum profissional com a capacidade de tomar, agora, alguma atitude por pessoas com qualquer tipo de problema, esse é o Designer.

 As pessoas com deficiência atualmente são pessoas que lidam melhor com as frustrações da rotina do que aqueles que não possuem impedimentos.

Um estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostra que aproximadamente 15% das pessoas no mundo, ou, um bilhão de pessoas, possuem algum tipo de deficiência.

É notoriamente perceptível que a não inclusão dessas pessoas no design traz frustrações em suas rotinas. Por mais que os PCDs lidem com extrema leveza com as adversidades, já passamos da hora de criarmos, no Brasil, um design mais inclusivo com essa comunidade.

 

O design é para todos

Quando pensamos em design, pensamos para o ser humano, não importa sua condição. Quando transformamos algo complexo em algo mais acessível, toda a sociedade se beneficia de trabalhos como esse.

Veja o exemplo da Mileha Soneji, uma garota Indiana que, ao ver seu adorado tio desenvolver a doença de Parkinson, percebeu que sua dificuldade em fazer uma simples tarefa, a de tomar um copo de café ou chá, se tornou algo complexo e constrangedor.

E como ela, em sua função de designer, poderia ajudar ele? A resposta está no projeto abaixo:

 

O projeto do "copo anti-derramamento" de Mileha Soneji

 

Mileha criou o “Copo anti derramamento”, para que seu tio pudesse voltar a ter a alegria de tomar seu café em grandes eventos familiares, atividade que sempre gostou de fazer e não podia, devido à vergonha que sentia em derrubar a bebida de seu copo.

A solução parece ter impacto apenas na vida do portador da doença, mas, toda sua família sofre um impacto positivo quando a auto-estima de um paciente de uma doença degenerativa é elevada. Nada paga o preço de ver um ente querido recuperar a alegria de fazer algo que jamais imaginou fazer mais em sua vida.

Quando fazemos design para todos, levamos em consideração o ser humano, não importa qual a sua condição.

O bom design é aquele passível de uso e aproveitamento pelo maior grupo de pessoas e usuários possível:

“O bom design acessível acontece quando você enxerga por diferentes perspectivas, ou lentes”.

A frase é de Jesse Schell, autor do livro “The Art of Game Design: Book Of Lenses”.

 

Afinal, o que é fazer design para todos?

Em sua concepção, a definição do termo “design” é:

“Design é o processo de pensamento que compreende a criação de alguma coisa”

Willian R. Miller, 1988

Isso significa que a concepção do Design está no ato do processo e do pensamento, e não apenas em sua execução. É nesse momento em que devemos ser o mais inclusivos e representativos possível. O Design é responsável por apresentar soluções para diversos pontos de vista. Unificar é nosso dever, facilitar é nossa obrigação!

Quanto mais publicos englobamos em nossas soluções, mais promovemos o bem social e a facilidade na vida das pessoas. Gerar impactos através de ideias é o foco do design e sempre deve ser o objetivo principal de qualquer trabalho.

Como você pensa suas soluções, produtos e serviços? A acessibilidade é um drive para sua empresa? Vamos conversar sobre o assunto. O primeiro passo para promover a inclusão é o diálogo para buscar novas ideias.