3 DICAS PARA EVITAR OS MODISMOS DA TECNOLOGIA

No mundo corporativo, todos corremos o risco de cair em modismos da tecnologia. 

De cara, podemos lembrar quando a Apple lançou seu iPod, um produto de sucesso instantâneo. Na sequência, vários concorrentes começaram a lançar uma série de produtos semelhantes que, obviamente, fracassaram. Este movimento da indústria é um clássico exemplo do Fear of Missing Out (FOMO).

Quando uma empresa age desta maneira, ela costuma errar. E erra de dois modos diferentes. 

Em primeiro lugar, ao ver o sucesso de um produto ou tecnologia do concorrente, ela pensa que precisa aproveitar esta tendência. O grande engano aqui é que, se um produto já é um sucesso, ele não é mais tendência, mas sim realidade.

Depois disso, a empresa, dominada pelo FOMO, pouco se importa se determinada tecnologia satisfaz seu direcionamento estratégico. Ela simplesmente teme não aproveitar a oportunidade e ficar para trás.

Na hora de entender como a tecnologia afeta as decisões de um negócio, é fundamental lembrar dos trade offs. Não é porque todo mundo está dizendo que algo é incrível que ele será necessariamente bom para você.

O olhar estratégico é fundamental para saber como, quando e de que modo você deve absorver novas tecnologias.

Mas como evitar cair nos modismos da tecnologia? Como designers, nós da Icon sempre olhamos primeiro para as necessidades das pessoas. E isso faz a diferença para evitar os hypes da tecnologia.

Para que você não caia novamente nestas armadilhas, aqui vão três abordagens utilizadas por nós para entender se uma tecnologia faz sentido, ou não, em nossos projetos.

 

COMECE PELA PROPOSTA DE VALOR E DEIXE A TECNOLOGIA DE LADO

Há uma diferença muito grande entre a proposta de valor de um produto ou serviço e a tecnologia que será utilizada como apoio para dar vida à ela.

Em um processo de desenvolvimento, a primeira coisa que devemos saber é o que as pessoas precisam e como resolver a dor delas. Independente de tecnologias envolvidas, você precisa saber como há geração de valor nesta relação.

Questões de usabilidade e funcionalidade devem ser testadas na reta final do projeto, depois que já há clareza sobre qual problema estamos resolvendo e se o novo produto atende ao modelo de negócio de sua empresa.

Se você resolveu estas duas perguntas, então não precisará se preocupar com a tecnologia que será usada. Isso porque ela será uma consequência natural do processo que você está desenvolvendo, servindo como ponte para solucionar o problema do seu usuário.

Portando, não adianta chegar em um projeto dizendo que você precisa de blockchain, sendo que ainda não sabemos quais benefícios emocionais dos clientes iremos resolver. De repente, a solução com mais aderência, pode ser a mais barata.

 

TENTE ALGUMAS ALTERNATIVAS ANTES DE TOMAR A DECISÃO

Em muitos casos, nossos clientes chegam para o início do projeto com muitas decisões prontas em sua cabeça. Sabem exatamente do que precisam, mas, infelizmente, não tiveram tempo suficiente para avaliar outras possibilidades.

Para estes casos, existe uma solução muito interessante. Ela é chamada de Princípio Goldilock. Trata-se de um modelo que trabalha para compreender diferentes níveis de uma determinada situação para encontrar o equilíbrio ideal.

Diferentes abordagens trabalham diferentes tipos de narrativas e estímulos. E esta vivência pode trazer insights únicos para entendermos qual tipo e nível de tecnologia devemos aplicar em nossos projetos.

Porém, é muito provável que, se você estiver criando um produto inovador, não existam estas opções para serem analisadas no mercado. Para isso, você precisa dar um sidestep criativo e avaliar qual segmento da economia poderia trazer uma inspiração valiosa.

O importante é que, se você for capaz de mergulhar em diferentes experiências, você conseguirá compreender melhor como os níveis de tecnologia afetam seu negócio.

 

PENSE EM SOLUÇÕES FANTÁSTICAS PARA NECESSIDADES CONCRETAS

Quando nos deparamos com um desafio pela frente, a primeira pergunta que devemos fazer é: qual necessidade humana meu produto deve satisfazer? Em geral, as pessoas focam direto nos atributos tangíveis de um produto e limitam a criatividade.

Um exercício possível em uma sessão de ideação é abrir aos participantes qual necessidade básica humana precisamos resolver. Por exemplo, podemos falar em identidade de grupo. 

Na sequência, os participantes apresentam ideias mágicas ao cotidiano humano, de forma que o desafio em si seja solucionado. Estas soluções podem vir em forma de ferramentas, comportamentos e características.

Quando começamos a levantar soluções incríveis para problemas reais, criamos um portfólio de soluções. Então, pareamos estas ideias mágicas com tecnologias existentes, e passamos a desenhar uma solução real.

Com estas soluções, você poderá pensar, em primeiro lugar, no seu negócio e nas pessoas. Este é o segredo para a geração de valor constante. A tecnologia que não atende às necessidades humanas é um mero adereço.

É importante lembrar que novas tecnologias sempre se apresentarão com a solução de momento para que os negócios sigam competitivos. E é exatamente esta pressão que faz com que muitas decisões erradas sejam tomadas.

Você precisa ser capaz de resistir ao FOMO e focar única e exclusivamente na necessidade do seu consumidor. Desta forma, a tecnologia não será uma jogada de Marketing da sua empresa, mas sim um vetor para ajudar as pessoas da forma correta.